quarta-feira, 11 de abril de 2012

Infância




Infância






Ouvi o barulho do silêncio


Fumei um picado apagado


Escrevi sonetos sem tercetos,


Maluquei a falar


Que a abóbora era laranja


E todos acreditaram...


Mal sabem que a laranja é uma bola


E a abóbora uma carruagem






Tive uma galinha que falava,


(item básico de um bom prosador)


Pena eu não ter uma pena,


Sem pena nem prosado


Do bucho cheio fiquei


Da galinha do ensopado.






Fui pirata de areia,


Montei a onça sem pinta...


Na minha vó, meu indicador


Entrou no pudim, e eu na cinta.






Mesopotâmios fizeram


Meia torre de babel,


Devia ser o calor


Fiz uma inteira só com papel,


(Sou arquiteto de mim mesmo)


Ainda chegarei ao céu.






Pintei a simplicidade


Sosseguei a complexidade.






A morte tem um chaveiro


Por isso sempre perturbo o coveiro.






Cai, rolei, chorei, levantei


Dancei...


Ufa... Quase morri..


Ri!






Fechei o olho e vi coisas e cousas:


Vi, os olhos da mula sem cabeça


Vi, saci senta de perna cruzada


Vi, o banguela morder a rapadura


Vi, o padre que sabia amar


Vi, o poeta que não sabia rimar..






Vi, e vivi a literatura do mundo.






Foi quando vi Maria...


(tinha de ser “Maria”)


E por um santo grilo pulandeiro


No braços meu cairia .


Ela agradece o herói...


Dá um beijo.


E uma paixão se constrói...






Porém tudo tem um fim...


E o meu está me chamando..


Estou lágrimas derramando...


Aqui jaz um viajante. Adeus






-João Pedro Souza Silva Pinto de Lara...


Vai lavar essa mão pra jantar moleque!






Lucas Simonette
Letras - 1º Ano

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