segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Crítica Social




Crítica social

Eu tento escrever coisas sérias

Apontar injustiças, misérias

Num poema que fale do povo

Mas lá vem a moça, de novo

Toda linda, doce, faceira

“Quem sabe, hoje, ela me queira?”

E eu já não penso mais em nada

“Ei, quer ser minha namorada?”

Bem me quer, mal me quer, bem me quer...

Ei, poeta, vamos, seja crítico!

Ahn? Um poema de cunho político?

Só se eu não conhecesse a mulher!

Vitor França

Letras – 3º ano

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Iemanjá


Iemanjá
para Andréa Catrópa


Virá

de fora

e

rasgará, a nado
o músculo
da água.

Transbordará (reino de Oxum)

cachoeira

num (como sobra)

lago da memória.

Até que líquida

ser bebida,

e incorporada.

Quando se for (para dentro),

água-fátuo,

deixar-se-á, um pouco,

à matéria

que

engolirá, a seco,

o gole

do

santo.


Eduardo Lacerda

EDUARDO LACERDA: Poeta, produtor cultural e editor de livros. Cursou letras na USP, mas foi jubilado com louvor. Trabalhou como produtor cultural na Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e LIteratura e no Programa São Paulo: um Estado de leitores. Coeditou, na FFLCH, a Revista Metamorfose (2002 e 2004). Também coeditou o jornal O Casulo, projeto premiado pelo VAI - Valorização de Iniciativas Culturais. Atualmente é coeditor da Editora Patuá (www.editorapatua.com.br). Gosta de cerveja, tango, truco e tarot. Os poemas fazem parte do livro Outro dia de folia, seu livro de estreia, premiado pelo ProAC - Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. Lançamento em Agosto de 2012.

Embrulho





Embrulho

“Se devíamos chorar quando os palhaços começam a folia,
Se devíamos pinotear quando os músicos se põem a tocar,
O tempo nada dirá mas eu o preveni.”

(W.H Auden)



na festa

esgar de assopros
incineram
os fogos.

apagado
sorrio
(de lado)

fria a vela

o desejo retorna ao estado

de espera.

E eu espero.

E eu estou de parabéns.

Eduardo Lacerda


EDUARDO LACERDA: Poeta, produtor cultural e editor de livros. Cursou letras na USP, mas foi jubilado com louvor. Trabalhou como produtor cultural na Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e LIteratura e no Programa São Paulo: um Estado de leitores. Coeditou, na FFLCH, a Revista Metamorfose (2002 e 2004). Também coeditou o jornal O Casulo, projeto premiado pelo VAI - Valorização de Iniciativas Culturais. Atualmente é coeditor da Editora Patuá (www.editorapatua.com.br). Gosta de cerveja, tango, truco e tarot. Os poemas fazem parte do livro Outro dia de folia, seu livro de estreia, premiado pelo ProAC - Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. Lançamento em Agosto de 2012.


Festim



Festim

Jogou copos contra
paredes

Mudou de letra, com
caligrafia e sessões
terapêuticas, dando-
se firmeza às mãos

Rabiscou espelhos
não sendo ele
sua própria

letra.

Lençóis amassados e
marcas de unhas
nas costas.

Cheiro de cigarros,
bebida, suor
e incenso.

— os poucos amigos,
dispersos,

juravam que vivia
em festa. —


Eduardo Lacerda

EDUARDO LACERDA: Poeta, produtor cultural e editor de livros. Cursou letras na USP, mas foi jubilado com louvor. Trabalhou como produtor cultural na Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e LIteratura e no Programa São Paulo: um Estado de leitores. Coeditou, na FFLCH, a Revista Metamorfose (2002 e 2004). Também coeditou o jornal O Casulo, projeto premiado pelo VAI - Valorização de Iniciativas Culturais. Atualmente é coeditor da Editora Patuá (www.editorapatua.com.br). Gosta de cerveja, tango, truco e tarot. Os poemas fazem parte do livro Outro dia de folia, seu livro de estreia, premiado pelo ProAC - Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. Lançamento em Agosto de 2012.

A Última Ceia




A última Ceia


Há regras à mesa
como em um brinquedo
de quebra-cabeça.

/ E eu não entendo
os dispostos à esquerda

dos pais.

Restos do pequeno
que sentavam ao meio

da mesa (como prato
que se enche
e procura lugar entre
as pessoas). /

Já não me encaixo
depois que aprendi
a olhar de lado
e sair por baixo.


Eduardo Lacerda

EDUARDO LACERDA: Poeta, produtor cultural e editor de livros. Cursou letras na USP, mas foi jubilado com louvor. Trabalhou como produtor cultural na Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e LIteratura e no Programa São Paulo: um Estado de leitores. Coeditou, na FFLCH, a Revista Metamorfose (2002 e 2004). Também coeditou o jornal O Casulo, projeto premiado pelo VAI - Valorização de Iniciativas Culturais. Atualmente é coeditor da Editora Patuá (www.editorapatua.com.br). Gosta de cerveja, tango, truco e tarot. Os poemas fazem parte do livro Outro dia de folia, seu livro de estreia, premiado pelo ProAC - Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. Lançamento em Agosto de 2012.

CONVITE: Lançamento do Livro: "OUTRO DIA DE FOLIA" - Eduardo Lacerda





EDUARDO LACERDA: Poeta, produtor cultural e editor de livros. Cursou letras na USP, mas foi jubilado com louvor. Trabalhou como produtor cultural na Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e LIteratura e no Programa São Paulo: um Estado de leitores. Coeditou, na FFLCH, a Revista Metamorfose (2002 e 2004). Também coeditou o jornal O Casulo, projeto premiado pelo VAI - Valorização de Iniciativas Culturais. Atualmente é coeditor da Editora Patuá (www.editorapatua.com.br). Gosta de cerveja, tango, truco e tarot. Os poemas fazem parte do livro Outro dia de folia, seu livro de estreia, premiado pelo ProAC - Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. Lançamento em Agosto de 2012.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

LIVRO: CLAREANA




SINOPSE

Igor é um cara comum na casa dos 30 anos que tem sua vida virada de cabeça para
baixo após o lançamento de um livro no qual ele ousou revelar detalhes indiscretos
da entediante vida que levava até então. A obra, lançada sem muito alarde, foi
um tremendo fiasco comercial, mas acabou provocando a ira de sua esposa e
de seu chefe. Com isso, ele é demitido, briga com a mulher e decide finalmente
sair de casa com o intuito de vivenciar aventuras semelhantes às lidas em seus
romances preferidos: “Tanto Faz” e “Pornopopéia”, do Reinaldo Moraes, “Mulheres”
e “Factótum”, do Charles Bukowski, para ficar apenas em alguns.

Após anos preso a uma vida banal e monótona, Igor está a fim de embarcar numa
alucinante história de putaria e liberdade pelas excitantes ruas de São Paulo, e quem
sabe então transformar suas experiências em um novo e divertido livro. Logo no início
dessa nova fase da vida, porém, ele conhece Clareana, uma jovem e atraente cantora,
e sua narrativa acaba tomando um rumo completamente inesperado. O que deveria
ser apenas sexo, porres, farra e curtição acaba se transformando também em uma
obsessiva, angustiante e surpreendente busca.

Repleto de referências literárias, musicais e cinematográficas, alternando momentos
de melancolia e comicidade, oscilando entre a comédia romântica e a pornochanchada,
entre a prosa e a poesia, “Clareana” é uma envolvente história sobre acasos, encontros
e desencontros na cidade de São Paulo.

ORELHA DO LIVRO

Como amante da literatura, acompanho diariamente blogs de editoras, livrarias e estou
sempre em busca do que há de novo na produção nacional. Há cerca de um ano, em um
curso na USP sobre a narrativa no cinema brasileiro, tive a grata surpresa de conhecer
o Vitor França. Éramos dois estranhos naquela turma e, talvez por isso, decidimos fazer
o trabalho de conclusão juntos (um curta de três minutos, que ficou muito melhor do
que esperávamos). Pouco a pouco descobrimos ter diversas coisas em comum, entre
as quais os empregos que nos davam um bom dinheiro, mas pouca satisfação, e um
desejo enorme de se aproximar mais da arte. Nossas conversas eram sempre cheias
de ideias sobre autores contemporâneos, principalmente os mais informais, eróticos,
pornográficos, escatológicos. E aí outra coincidência: ambos adorávamos essa literatura!
Nossas discussões iam de Reinaldo Moraes e Marçal Aquino a Pedro Juan Gutierrez,
João Ubaldo, Bukowski e etc, etc, etc. Eis então que o Vitor decide me contar que estava
terminando de escrever um romance, “Clareana”, e me pede para ler e comentar.
Obviamente aceitei na hora!

Despretensioso, leve, “Clareana” me divertiu desde a primeira página! Comecei então
a campanha de "Vamos lançar o livro, Vitor, vamos!", pois não conheço uma pessoa

que não se identificaria com o Igor (protagonista do livro) e não daria boas risadas
dele ou com ele. Engraçado: uma série de coincidências na cidade de São Paulo me
levou a conhecer o Vitor França e a ler “Clareana”. Outras coincidências na mesma
caótica e apaixonante metrópole, por sua vez, fizeram com que o Igor, um ex-burocrata,
decidisse seguir sua vocação, lançar seu livro e, mesmo após o fracasso de vendas, visse
sua vida mudar da água para o vinho (Muito vinho, por sinal!).

Com linguagem informal, sem grandes pretensões (algo raro num país onde ninguém
escreve um bilhete sem buscar a eternidade, como disse Nelson Rodrigues), a narrativa
diverte bastante com episódios hilários muito bem amarrados que não nos deixam
abandonar o livro antes do final! Uma história de encontros e desencontros, paranoias,
amores, sexo, excessos e delícias! Com diversas influências do cinema e certamente
com Reinaldo Moraes como sua grande referência literária, Vitor França conseguiu
mostrar seu estilo e começar sua carreira literária de modo bem diferente de seu alter-
ego Igor. Seu romance de estreia é certamente o primeiro de muitos que farei questão
de ler e reler! A minha campanha sem dúvida valeu a pena e tenho certeza que renderá
excelentes frutos e muita diversão aos leitores!

Manoela Andrade (formada em Letras pela USP)

Sobre o autor

Vitor França nasceu em São Paulo, em 1982. É mestre em Economia pela FGV-SP e
economista formado pela USP, onde atualmente cursa Letras. “Clareana” é seu primeiro
romance.