segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pinóquio





















Pinóquio


“Quando eu nasci, veia uma fada reta
dessas que vivem nos contos infantis
disse: Vai, Pinóquio! Ser pau torto na vida.”


Nasci em uma casa da rua dos bobos
Não sei onde exatamente.
Hoje em dia a cidade não é mais a mesma.
Já não sei exatamente se é a minha cidade, ou se sou dela.


Pobre casa perdida...
Ninguém sabe onde está.
Ou será que nunca esteve?
Estou maluco?
Não sei se isso me influencia de alguma forma.
Mas de tudo fica um pouco.
Muito e pouco.
Talvez uma gota etílica, que transbordou.
Mas eu sou de madeira e não sei como conduzir-me na vida.
Com os cupins a me fazerem buracos na alma.
Se ao menos fosse gente de verdade.
Mas não.
Estou entre,
Estou quase,
Este poder ser que...


Tosse, tosse, tosse.
           -Trintetreis.
           -Trintetreis.
           -Trintetreis.
           -Desculpe, Sr. Pinóquio, mas você não tem salvação.
           -É a vida. É a vida.
           -Só dá pra tocar um tango argentino.
           -Mas, doutor... Eu não sei tocar.
           -Então dançou.


E dancei, dancei, dancei por dias, e dias, e dias
Com meus sapatinhos de cristal e grandes tranças psicológicas.
Estala, sapatos de cristal pintado!
Pra que tanta perna, fada minha?
Cadê você, fada? Cadê?
Que é do Pinóquio? Está esquecido.


Se ao menos eu tivesse uma pista qualquer...
Poderia me tornar menino.
Preciso me transformar em gente.


Não posso querer me transformar.
Não sou nada. É isso que me convém.
Estou preso em um corpo de madeira.
Com a morte a por umidade nas minhas articulações,
E o cheiro do mofo impregnando minhas roupas rotas.


Mesmo assim ainda existem uma série de “serás”.
Será que consigo? Será que eu quero?
Justo eu que não sei o que é ser gente.
Existem, neste momento, cem mil cérebros querem deixar de ser gente.
Minhas farpas raspam buscando uma resposta real.
Não.
Não importa.


Se não posso ter uma fada mãe, que venha a madrinha.
Que venha!
Aceito ser gente com qualquer ressalva.
Que venha se tiver de vir, ou não venha.


Mas o dono da marcenaria chegou à porta e ficou à porta,
Gepetto me olha. Sem lágrimas. Eu e ele.
Olho-o com desconforto da cabeça mal articulada
E com o desconforto de um peito de madeira oca.
Ele morrerá, mas eu não morrerei.
Porque nunca vivi, nem estudei, nem acreditei.


Um pássaro azul molhado de whisky e fedendo a cigarros
Passa voando e pousa na janela.
Pego-o com cuidado e prendo em uma gaiola.
Vou até as ferramentas de meu criador,
Abro um buraco em meu peito.
Enfio a gaiola com o grande pássaro azul em meu peito.
Ele quer escapar, e voar para longe.
Mas eu não deixo. Nem de dia nem de noite.


O meu títere acha magnífico, e eu danço mais.
Contra a minha vontade, mas danço.
Ele brinca com meus fios enquanto eu sonho com liberdade.


O pássaro vomita de náusea e ressaca enquanto sonhamos com liberdade.
A fada madrinha ainda vai chegar enquanto sonharmos com liberdade.

O titereteiro me fará dançar enquanto eu estiver sonhando com liberdade.
Eu precisarei de mais fios para acreditar que sou um menino de verdade.



Rafael Bonavina
Letras - 1º Ano

sábado, 16 de junho de 2012

BANDA CLAVE DE CLOVIS



Olá, 

Meu nome é Flávio Caldas, sou aluno do 1º ano de letras, e há algumas semanas tive contato com o Blog do Sarau Virtual da FFLCH, gostaria se possível fazer a divulgação do meu trabalho como músico com a banda Clave de Clóvis http://www.clavedeclovis.com/  cujo qual gostaria de veicular por meio do Blog videos e músicas, no site existe a possibilidade de fazer o download do CD "Surbvesivo", e abaixo seguem os link de videos e das músicas do novo CD da banda. Caso prefiram posso providenciar o envio dos arquivos em MP3, ou mesmo enviar os CD´s pra que sejam colocados no formato de preferência para a divulgação ok?

Link para o Canal do Youtube da Banda http://www.youtube.com/user/clavedeclovis




sexta-feira, 15 de junho de 2012

1968




1968

desacato inconstitucional
número cinco, digo, ato
desavergonhado nacional,
da truculência que se presencia
do silêncio sonoro que se
omite na malícia, milícia

a verdade que se pede
a verdade que se mede
o torturador que tortura
a dor, o grito surdo
que ressoa sobre a sala

onde estão os corpos?
onde estão os mortos?
um vazio negro na
história, um risco
escuro no breu das tocas

comissão da verdade
ou omissão da verdade?
da torturada que não fala
se cala e dá um tapa
na cara dos brasileiros.
Guerrilheiros, onde estão?

perguntas que se repetem
e se perdem na memória
sem respostas. Embora postas
em arquivos que sangram
sangue latino num desatino
de vida, vida? Dívida.

Priscila Freiria
Letras - 1º Ano

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Metacomposição


Metacomposição

Este apoema há de vir
e ainda não veio
  ainda não é
            é massa
amorfa em minha mente
               (minto)

Incompleto, já se fez
       eterno refaz
intruso do futuro no
presente:
pressentido-poema

            Poema-
-círculo,   tecido
imaginário     que
nunca termina
      onde começou 


Carlos Ulmo
Letras - 1º Ano

Árvore




Árvore

Majestosa erupção do solo
retorcida estátua vivente
sua grandeza me toma
e sou absorto em
   todos os teus verdes

Mil folhas
    filhas louvam o Sol
venta
    e dançam um leve floreado
    ou revoltosa branda ira

Agarrada ao chão,  se joga
paciente ao céu;   de seus
veios vivos,       de suas
veias verdes
          cresce seu sangue
se constrói carne (árvore) dura 


Carlos Ulmo
Letras - 1º Ano



Coita do Mar




COITA DO MAR


De louco e dileto pensar

é pleno e quase perdido;

de cor era dono do mar,

doido de pedra varrido.

Na espuma que beija o luar

busca rumores de amor,

pesca ilusão sem parar,

há de fazer onde por.

Assim traçava o caminho

o louco sem ver a quem,

andava nas nuvens sozinho,

ferido o homem de bem.

Ao vento o poema dizia,

sem eira ou na contramão,

do verso de alma vazia,

aberto à suposição:

Primeiro paz, depois amor.

Primeiro frio, depois calor.

Primeiro mas, depois fervor.

Primeiro brio, depois terror.

Primeiro verso, quem compôs?

Primeiro beijo, vou atrás.

Submerso, sou atroz

na paixão que sou capaz.

De amor canto a alma prenha,

canto as águas com louvor,

canto tudo que me venha

primeiro lavar a dor.


Gui Monteiro – Noturno – 1º Ano

Nesta Mesa Branca de Bar



NESTA MESA BRANCA DE BAR


Toda a cerveja do mundo cai, por engano,

em nossa mesa branca, na qual não se pode beber.

E o compadre, espírita mal avisado,

vai ao centro, inocente.

“Por favor, leve tudo para a mesa ao lado”,

onde a velha diz às amigas:

“Chega uma hora em que nossa vida muda”.

Não, ainda não é desta vez:

a mesa certa estava errada.

“Por favor, traga tudo para cá,

onde se vive bebendo à sorte,

comendo a morte, sacando aportes de felicidade

da nossa conta no céu,

já que Deus e o Diabo na Terra do Sol

também brindam à saúde de seus filhos,

em trilhos, espartilhos e milhos sob o joelho,

além de luzes, glória e brilho no espelho”.


Gui Monteiro – Noturno – 1º Ano

Desiguais




Desiguais

você que é feito de céu
ensina-me a sentir isso
tão cosntante e puro,
fora de alcance e mudo:

digo uma palavra
desnecessária, apenas
pra puxar papo
e sempre recebo algo

desproporcional
um mais o outro
menos, como é que
se equilibra o amor?


Priscila Freiria
Letras 1º Ano

FACA CEGA, FÉ AMOLADA



FACA CEGA FÉ AMOLADA

Minha poesia é faca na garganta.
Primeiro na minha.
Depois, na de quem se aproxima.
E depois, na de quem não se aproxima.
Minha faca cega fés amoladas.
Minha fé na Poesia não é cega,
mas seca gargantas, e quantas for preciso
ao siso do verso livro.
Crivo de flechas letrais o peito vivo
E sigo livre,
para que o Deus da fé nos livros
haja-se.

Gui Monteiro – 1º Ano – Noturno

quinta-feira, 7 de junho de 2012





Poemas inter.calados


Se por tudo que um tem

Tem-se que tudo por um,

Por que tudo tem um se,

Se tudo tem um por quê?


Veja,

O que a planta diria ao homem,

O homem que planta sabedoria,

Quando o que os consomem

São mentiras de farta euforia?


Num raro momento,

Em que primavera vi,

(De puro sentimento)

A natureza, senti!

Posso uma pessoa ser

Só não posso com o Pessoa.


Logo sou...sou...

Uma pessoa de estalo

Ao atingir a cólera de Pessoa...

Espelho de mim mesmo

Não procures uniformidade,

Aqui veras o indireto

Torna-se realidade .


Sou imagem,

Sou...

Poesia     f

                    alada;  e

Noite       c


-Meu reflexo

 É um

           Inter

                  Calado.



Lucas Simonette