domingo, 27 de maio de 2012

A Hora da Xepa




A Hora da Xepa

Os tomates vermelham cor
As bananas amarelam odor
Entre alfaces, a larva caminha
Mas nada de surpresa, vida minha!

Todos buscam menores custos
As placas mudam de preços
Hora da xepa se avizinha
Mas nada de surpresa, vida minha!

Gritos, vocativos proliferam
Venham aqui, pegue acolá
Senhora... a hora é agora!
Mas nada de surpresa, vida minha!

Pastéis, crianças e caldos de cana
Chinelos, carrinhos e sacolas
Tudo em grande quantidade,
Mas nada de surpresa, vida minha!

A casca de banana, o pedaço de fruta
Tudo exala perfume pitoresco
Sons grotescos, discurso direto,
Mas nada de surpresa, vida minha!

Bacias, montes e pacotes...
Levem quantos por apenas tanto,
Sacola cheia, mesa farta, peito vazio
Mas nada de surpresa, vida minha!


Elisangelis
Letras - 1º Ano

sábado, 26 de maio de 2012

Vertigem




Vertigem

Uma miragem longinqua de alguém que nunca conheci,
Uma tentação reprimida que um dia quis ter,
Alguém melhor do que poderia encontrar,
Um sonho com gosto amargo,
Um anjo com asas quebradas.

Alguém inventado por mim,
Alguém que um dia quis conhecer,
Alguém que sempre esteve em mim,
Mas que nunca existiu.

Uma reprise de um filme antigo,
Um oásis imaginário no meio da seca,
Um ideal inalcançável,
A perfeição absurda,
Que apenas reside em minha mente.

Alguém inventado por mim,
Alguém que um dia quis conhecer,
Alguém que sempre esteve em mim,
Mas que nunca existiu.


Maitê Alegretti Rodrigues
Letras - 1º Ano

Outono




Outono

Mesmo depois de tantas auroras,
Tudo permanece,
O tempo parou,
E as folhas de outono insistem em cair.

Os meus versos são ilegíveis,
As palavras voam e fogem,
Eu não entendo mais nada,
Tudo se esvai e se desfaz.

É como se eu tivesse esquecido quem sou,
E procuro nas pessoas,
Tudo o que perdi,
Mas os ponteiros não fazem mais o seu trajeto habitual,
Perco totalmente a noção dos dias,
E já passaram alguns meses,
Mas para mim, outono ainda não acabou.

Afogo meu orgulho,
Encaro meus medos,
Descubro em mim um novo eu,
Que talvez nunca viesse à tona,
Se outono não chegasse...

Eu luto para acordar,
Recomponho meu cotiano,
Tento prender-me em pequenas coisas,
Olho pela janela,
E as folhas continuam a cair.

Maitê Alegretti Rodrigues
Letras - 1º Ano

O Canto




O Canto

A voz calou-se,
Aquela voz que cantara sobre o outono,
Aquela voz velada viciosa em encantamentos,
Aquela voz reprimida e incompreendida,
Aquela voz polida que jamais irradiara,
Aquela voz tornou-se então outra,
Aquela voz agora é a voz que canta,
as folhas verdes embebidas de sonhos primaveris.

A voz calou-se,
Aquela voz solitária,
Aquela voz credulamente apaixonada,
Aquela voz da lira dos dezesseis anos,
Aquela voz perdida em notas silenciosas,
Aquela voz agora é a voz que canta,
É a voz que espera sem estar a espera,
É a voz nascente,
É a voz sobrevivente.


Maitê Alegretti Rodrigues
Letras - 1º Ano

Vida




Vida

O amor morreu,
O seu significado se foi,
A sua essência não está mais em mim,
Nada que o lembre parece real,
As lembranças tornaram-se fantasmas.

O amor morreu,
E em mim uma parte renasceu,
A dor se fora,
A dúvida cresceu,
Mas o mar de inseguranças parece desaparecer.

O amor morreu,
E outono se fora, a primavera ressurgiu, e o verão tem sido bom,
Não torne-me pessimista,
Tornei-me feliz,
E dei a minha vida um novo significado a liberdade.

O amor morreu,
Agora há muito para conciliar,
E pouco para conceder,
Há muitos motivos,
E pouco para lutar.
...outono se fora, a primavera ressurgiu, e o verão tem sido bom,
Não me torne pessimista,
Tornei-me feliz,
E dei a minha vida um novo significado: a liberdade.


Maitê Alegretti Rodrigues
Letras - 1º Ano

Léo e Heitor




Léo e Heitor

Lá no fundo do âmago
Eu carrego seres que amo,
Ouço e sinto sem conhecer

Heróis antes de nascer
Esticam-se nas entranhas
Ignorando tombos e manhas

Tudo agora são em mim
Outono e inverno serão assim
Reis meus, então, nascerão



Cinthia Rodrigues

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Confusão




Confusão

Eu me perdi no amor,
Como quem se perde no assunto.
Vou buscar, andando, um advento,
Mudando a saída, meu rumo, meu prumo.
Sem medo! Muda a cor, muda a rosa - muda o cheiro.

Pensamentos não são vãos,
Mas se perdem, ficam pelo caminho.
Novo azedo vinagre, velho doce vinho!

Tudo corre, tudo escorre e tem porém.
Tudo nasce, não se importe, não se escolhe quando vem.
Trilha estreita, trilha grande, trilha torta e trilho de trem.
De um nada vem o tudo e do tudo, nada se tem.

O contexto nos mostra o que de fora não é visto,
Como a vasta imensidão que cabe dentro do infinito.
E a capacidade de ser finito
É o tempo que leva pra durar a vida.
É como se em cada porto de horizontes
Avistássemos um outro mais bonito.

Às vezes sinto falta do vento,
Deito e fito o céu, me aconchego na solidão,
O sono me devora, sedento.
E acordo nos teus braços, sonhando, livre de todo o tormento.


Juliano Emídio Mendes
Letras - 1º Ano

A Vida e o Tempo




A vida e o Tempo

Vejo graça em você, tempo.
Por vezes, confundo-te com a vida.
Muitos o fazem,
Pois andam lado a lado, tu e a vida,
Mas opostamente à linha tênue que os difere.

Quem te criou foi um dos meus.
Mas quem criou a vida?
Ela poderia ser maior se você esperasse um pouco,
Tivesse paciência para os meus erros.

Quando penso na areia parecendo ouro quando o sol escalda,
No despir das arvores,
A fim de proteger a sua beleza durante os meses precedentes
Para depois mostrar-se novamente, intrépida e exuberante.
Questiono: és tu ou a vida?

Não obstante, a vida, portanto tu, nos ensina.
Erro, aprendo, escrevo, apago e reescrevo.
Sonho e vivo, mas tu, tempo, passas.
Sem piedade.

Quando és cedo, pinta retratos mal interpretados de nossas emoções.
Quando tarde, nos pinta em ataúdes cercados pela melancolia de outros.
E, por fim, desaparecemos dos retratos.
E a vida chega ao fim,
Mas tu, tempo, continua infinito até que acabe.

Juliano Emídio Mendes
Letras - 1º Ano

Demência Branca



Demência Branca

Bebi café à tarde inteira e à noite não dormi.
Fiquei vagando por minhas reminiscências,
Fiz visitas a devaneios insólitos, besteiras.
Fui por aí, por esquinas, pracinhas desertas,
Com banquinhos puídos – poder do tempo.

Sentei por ali mesmo e deleite-me em haustos,
Depois deitei na grama, embebi-me em ócio.
Novamente bobagens, imagens pitorescas:
Mulheres como alegoria do desejo, luxuria,
Sinuosos caminhos – frutos das paixões.

Vinho, amor, desejo...
Sonho, vinho, ilusão...
Rocio, tempo, vinho...
Loucura, vinho, clarão...

Volto, com curtos passos, cambaleante,
Um tanto lívido, um gosto amargo do cigarro.
Fui noite adentro, e vou dia afora, sedento...
Bela moça, és tempero, és poesia, toda a hora,
História ainda não dita – o que vivo agora.



Juliano Emídio Mendes
Letras - 1º Ano

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Do Gesto




Do Gesto

Um momento reflexivo
Nos submete de volta
Às portas do aeroporto.

Aquela tristeza,
Aquele distanciamento
Ainda posto no presente,
Traz a ansiedade no limite
De nossos pequenos momentos.

Mas em contraste
Com as despedidas,
Com as idas e vindas
de pessoas no desterro,
Um desespero surge
Diante do ato de
Se aproximar:

É como estar ali,
Beijando o querido semelhante
De volta de seu longo exílio,
Mas não saber para onde ir
Após os atos formais da vinda.

Raphael Boccardo
Letras - 3º Ano