sábado, 31 de março de 2012

Joveneza




Joveneza




Juventudes de Jove passeando lindeza pelos corredores do Saber,

deusinhas peladas em coxas e barriguinhas de fora,

biquinhos e bicões perfurando máscaras sociais,

a juventude de chofre alegando liberdade

para fendidos cofrinhos de plena carne,

branca, negra, amarela, carne serena.

Olhos épicos de fundo de garrafa e barba rala

barbarizam a virgindade de seus ideais.

E ficam na mão, por que não?

Beijo a linda juventude dos meus sonhos

na fé de que tudo dará certo:

a droga nos roga o amor de isopor,

o vento nos leva para longe

e as doces almas choram o tempo perdido.

Não há amanhã, o abraço é hoje,

o amigo urge, a Árvore foge

e o Saber corrói.

A juventude alardeia amores em câmeras bentas,

câmaras da sorte, do imponderável,

do hoje hoje, de orgasmotes e dutos

que não ficam, apenas passam,

passeiam, varrendo sorrisos e futuras proles,

enfiando no fim o canudo no Não.

No fim das contas, as mãos vazias,

Frias da morte do hoje:

assim seja, amor de crochê,

um amor assim delicado,

cheio de pontos e cuidados.



Gui Monteiro 
Letras - 1º Ano

quarta-feira, 28 de março de 2012

Árvore Caída




Árvore caída


Árvore apodrecida,
galhos tortos
sem vida
pedaços caem, soltos.

Gigante corpo sem nome
corpo grande imponente
beleza, doente
belo gigante, da fome.

Feito da imponente beleza
e agora jaz somente tristeza.
E esta é a única semente
do corpo vazio, demente.




Renan Galdino
Letras - 3º Ano

O Fantasma






O Fantasma


Um dia um fantasma se cansou de não ser visto e tentou sem sucesso ser visto pela vista daqueles que pensam que vêem algo.

 Outro dia o fantasma pulou, dançou, fez tudo que se podia fazer para ser visto mas, falhou. 

Outro dia o fantasma tentou não ser visto, nem por ele mesmo, pois tentou se matar mas, falhou. 

Outro dia o fantasma parou de tentar, parou. Inerte o fantasma parado sumiu; 

Não sei como mas
sumiu. 

Lindo foi o seu funeral, exatamente igual a qualquer dia insolente desses do qual vivemos, e não vemos.




Renan Galdino
Letras - 3º Ano

Uma Tarde





Uma tarde


O céu hoje está azul, não significa necessariamente que o dia está bom, talvez para mim, talvez não para outro. 

Parece cafona, mas o céu hoje está azul.

 Interessante poisnem sempre é assim, as vezes o sol assume outras cores, seja cinza, preto ou até alaranjado quando se põe.

Mas o azul é particularmente bonito, e pela janela eu olho e me maravilho com esse imensa quadro artístico em cima de todos nós, e esse azul me faz lembrar que
nem tudo é tão feio assim. 

Na ponta do telhado tinha uma aranha, e pensei o quão a
realidade desta era diferente da minha. 

Ah hoje eu estou cafona, mas cafona sob que
ponto de vista? 
Ah! Agora eu já estou sendo petulante. 

Melhor eu parar por aqui, mas
uma coisa eu digo: 

Quando o céu estiver azul olhe-o de vez em quando.



Renan Galdino
Letras 3º Ano

Velhice




Velhice




Pensar que algum dia não serei mais o que sou agora, e que um dia puxarei a pele, e esta não aceitará voltar mais à carne. 

Pensar um dia que perturbarei a todos com a minha repetição. 

Pensar que um dia não serei mais aquele que inspira o ar e o
peito infla.

Pensar que um dia derreterei as células que me constituem, " uma a uma desjecta membra " ao solo, ao ar à algum lugar que desconheço. 

E o que virá depois, para mim talvez não terá depois, talvez para outros. 

E por quê penso nisso agora? 

Porquê sei que este meu agora não será eterno.




Renan Galdino
Letras - 3ª Ano

São Paulo




São Paulo


São Paulo ...
Contrastes ...
Cimento, folha
Caída, levanta
Sujeira, limpeza
À margem, ao centro
Admirável, reprimível
Lindo, feio
São Paulo ...
São ...
Tantos conflitos.




Renan Galdino
Letras - 3º Ano

Certo do Incerto




Certo do Incerto


Oh futuro incerto, certo
a incerteza da vida
esta sofrida, com a morte
que vive perto.

oh coração pulsante
ensina-me a pulsar.
Ajuda este pobre andante
na vida que deixa passar.




Renan Galdino
Letras - 3º Ano

terça-feira, 27 de março de 2012

O Time do Povo





O Time do Povo


Na antiga Celso Garcia nasci,
E entre tróleibus apressados...
Silvia Régia apertava os passos
Estrondoso time crescia por ali


Sob aclamação popular emergia
O discurso progenitor previa:
"...vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time"
E Drumond ousaria tal profecia?


Abafem já os sons domésticos,
Ouvimos  tons, gritos frenéticos...
Uivos, chocalhos, sinto o orvalho...


Battaglia selara o destino
A Rosa do Povo fura o chão!
Timão e ô, Timão e ô, Timão!





Elisangelis 
Letras  - 1º Ano



sexta-feira, 23 de março de 2012

Aristóteles Visita os Deuses do Olimpo




Aristóteles Visita os Deuses do Olimpo


Se a arte imita a vida, assim disse Aristóteles...
Quero sorver o sol e aspirar às estrelas,
Tal qual Urano no princípio, viver em duplo com Gaia
Subir ao Cosmos, descer e gerar o Cronos

Filho meu, azar de meu falo que se finda
Levar meu membro para o alto
Enquanto o sangue cai e se perpetua na Terra
Não imitem tal proeza!

Enquanto vida há, Deuses dos Templos vigiam
Vida eterna e infinita os caracteriza
Já a humanidade, finita agoniza
Estendam-se os louros prodigiosos

De todos que contemplam do Olimpo
Recebam as benesses dessa descendência divina
Limitada por razões Prometéicas
Colham-se frutos saborosos, suculentos e breves!

Eis a vida humana, não é a dos Deuses!
Olimpíada alguma trará tais louros
Eternidade aos que de Ambrosia e Néctar
Alimentam-se, parcimoniosamente, a revelia...

Limitem-se aos alimentos frugais da Terra
Os Deuses assombrosamente espiam...
Enquanto se digladiam por parcos pedaços
Lutam pela vida, finita e previsível...

Elisangelis

Letras - 1º Ano