COITA DO MAR
De louco e dileto pensar
é pleno e quase perdido;
de cor era dono do mar,
doido de pedra varrido.
Na espuma que beija o luar
busca rumores de amor,
pesca ilusão sem parar,
há de fazer onde por.
Assim traçava o caminho
o louco sem ver a quem,
andava nas nuvens sozinho,
ferido o homem de bem.
Ao vento o poema dizia,
sem eira ou na contramão,
do verso de alma vazia,
aberto à suposição:
Primeiro paz, depois amor.
Primeiro frio, depois calor.
Primeiro mas, depois fervor.
Primeiro brio, depois terror.
Primeiro verso, quem compôs?
Primeiro beijo, vou atrás.
Submerso, sou atroz
na paixão que sou capaz.
De amor canto a alma prenha,
canto as águas com louvor,
canto tudo que me venha
primeiro lavar a dor.
Gui Monteiro – Noturno – 1º Ano

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