quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Primeira Grande Merda Mundial




PRIMEIRA GRANDE MERDA MUNDIAL

Hoje em dia, poheresia.

Louco de desejo é pouco.

Rouco, canta para moucos ouvidos.

De cara limpa, o mundo gira e a Poesia roda.

Cáustica rima que se perde é foda,

mas açoda o espírito para um fato:

o desacato da escrita premedita a sina,

verso caudímano, que na cruza das línguas ferinas

ferra almas.

Estou assim, à mercê da Merda Maiúscula,

Feito impromptu natimorto.

A Grande Merda Maiúscula do homem minúsculo,

dos homens sem qualidades.

E então deporto o apego à poesia, à vida,

Porque Merda fede e pede passagem para a eternidade.

Merda herda perdas, sandias valias em dinheiro morto.

Dinheiro não, vinhedos sim.

Dinheiro e pão, vinde a mim!

Dinheiro Cão, valha-me Deus!

Dinheiro não dás aos teus.

Dinheiro eu, dinheiras tu,

dinheira ele, sem eira nem feira,

dinheiramas a nós, calando tua voz,

dinheirão para eles.

Enquanto sós, uivamos à sobrevida que nos cabe,

e a mediocridade que nos enrabe e ame:

se a poesia acaba, desaba sobre nossas cabeças

a pobre obra do fazer infame.

Gui Monteiro – Letras – 1º Ano – Noturno

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