ASSALTO À MÃO AMADA
A noite és silêncio;
então, silencio.
A noite é silêncio,
anoitece frio.
Um carro passa na rua
e o barro sob meus pés
avisa o passo da lua
por trás dos canapés,
poltronas, cadeiras vazias,
cortina de solidão,
o vidro que desafia
o sangue no corrimão.
A noite são trincos de ouro
no brilho do roto portão,
és nua no sofá de couro,
a lua de prata na mão.
A noite é sala vazia,
colares sob o luar,
das mãos a supremacia
que servem para roubar.
Em vão desejas a vida,
avidamente a cantar:
prometo nenhuma ferida
na hora de matar-te
tanto o gozo como a loucura,
de pranto e pouco doer,
enquanto à tua procura
morro só de querer.
À noite há silêncio,
frio e gratidão,
fugas e desejo,
pecados sem perdão.
Gui Monteiro – Letras – 1º Ano - Noturno

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